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1 de novembro de 2018

Pensando na Rede: A Guerra de Palavras

Gaby Monteiro, Leio na Rede

A guerra política se tornou a guerra de palavras e, no meio da gritaria e exaltação, sou atingido.

O S passa pela minha perna esquerda, o E no ombro direito. O M atinge em cheio minha barriga.

Uma pausa para o respiro e para que o atacador se recarregue de suas balas e, então, começa novamente.

O C enrosca em meu pescoço, o A cola em minha mão, o R atropela meus pés. Outro A passa voando por cima de minha cabeça, o T finca minhas costas, mais um E raspa minha perna e o ataque final vem em forma de R, colando em meu peito.

SEM CARÁTER 

No fim, a batalha se encerra, caminho para um lado, meu opositor para outro, nosso laço está desfeito.

O embate político acaba, mas sigo machucado. Ferido por palavras que doem mais que balas. Sangrando dor, mágoa e solidão.

Perdi um amigo para uma discussão cega e passageira.

Ganhei um rótulo falso e permanente.

Caráter dizem as letras que me marcaram, mas seu sentido foi esvaziado resumindo-se, apenas, à política e apagando todas as ações que, um dia, o embasavam.

Posso manter o carimbo de caráter na pele, mas o SEM não me pertence.


Outubro/2018

1 de maio de 2018

Pensando na Rede: Clichês

Leio na Rede, Gaby Monteiro


Eu sou um clichê ambulante.
As bochechas rosadas,
As borboletas no estômago,
A falta de ar,
O sorriso no olhar...

Eu sou o clichê completo.
A espera pela mensagem,
O desespero do silêncio,
A melodia que acompanha a cena

Eu sou o clichê.
Relembrando o encontro,
Desejando mais um,
Imaginando cada situação.

Eu sou.
Sonhadora
Colecionadora de expectativas
A inocência que encanta

Eu
Já tentei mudar 
Fugir do clichê,
O final inovador que encanta ao público 

Eu cai no clichê 
Com outros sorrisos
Outras borboletas
Outras músicas 
Outros momentos
Outros clichês...

Eu sigo clichê
Sigo sorrindo
Sigo corando
Sigo colecionando borboletas, expectativas e esperas
Eu sigo o clichê ambulante.

Abril/2018

4 de fevereiro de 2018

Pensando na Rede: (Des)Harmonia

As pessoas falam, é você quem escolhe se deve escutar ou não. Eu escolhi escutar e, agora, minha voz se confunde com todas as outras.

Esse pensamento é meu? Essa decisão é minha?

Já não sei mais dizer. Toda escolha vem atrelada a um nome suporte, nunca algo sozinho. Por quê? Por que essa necessidade de aceitação? 

A sociedade é feita de imagens, padrões e esteriótipos, quando você quebra um, as vozes falam. E não se calam.

Até o momento que concordam em dar um passo para trás, o holofote é meu, a manete de decisões é minha. Estou no centro, estou no controle e... minha voz se cala. 
Trava. 
Silêncio. 
Nada.

O medo é palpável, o silêncio assustador. O peso da decisão esmaga até a respiração e nada se ouve. 
Tensão. 
Apreensão. 
Expectativas. 

Um filme começa a rodar e a trilha sonora é composta por diversas vozes, cheias de opinião.

Cada situação, cada dúvida, cada solução já vivida passam em frente ao holofote. Para cada cena, um narrador que auxiliava o personagem principal. Nos sonhos, o protagonista corria, fugia, vivia aventuras que jamais seriam verdadeiras pois eram extremamente opostas à sua imagem. 

E enquanto isso no filme dos narradores, minha voz ganhava espaço, respeitando o livre arbítrio do protagonista e se adaptando às novas situações. A imagem de conselheira, responsável e carinhosa era clara nas outras histórias e brilhava em meu holofote também. 

Mas repare na injustiça: os outros enredos mudam sem julgamento, sempre com apoio. O enredo que eu interpretava era travado para não fugir do caminho perfeito, da atuação impecável, da super heroína que salva a todos e não encontra problemas.

No filme que é a minha vida, sou apenas protagonista, personagem, atriz. A direção não me pertence. 

E quem escolheu essa equipe fui eu.


Fev/2018

8 de fevereiro de 2017

Pensando na Rede: Sobre te perder...

Sabe quando você perde algo e sente falta? 
Pois é. 
Eu perdi seus beijos, eu perdi seus toques, perdi seus sorrisos, perdi seu olhar. 
Eu perdi você. 
E o mais incrível é que eu sabia que eu iria perder, só não imaginava que seria tão rápido. Na verdade, eu nem queria te ter, se é que em algum momento você foi meu. 
No início, eu não queria, seria mais uma dor de cabeça, mais um problema. 
Porém você foi me convencendo, me encantando, me cativando e me ganhando. 
E o bobo coração romântico caiu rápido demais nesse feitiço. 
E eis-me aqui agora, sozinha outra vez. 
Sentir sua falta é uma sensação engraçada, contraditória no mínimo. Porque eu te quero aqui, mas um segundo depois não quero saber de você. E o minuto seguinte volta com você em meus pensamentos e em nossos momentos e piadas, aqueles que não terei com quem compartilhar mais. 
Mas não tente me enganar, não tente se enganar, eu lembro do seu olhar e duvido que me esqueça tão rápido. 
Mas se essa é sua escolha, "a gente aceita", né? 
Agradeço os beijos e os carinhos, os momentos de atenção, mas agora meus momentos são só meus e tudo bem. 
Não tem problema. 
Você faz um pouco de falta mas logo essa falta não será mais minha e sim de outra pessoa, porque a vida é assim e momentos são lembranças e histórias. 
Guardarei os nossos para relembrar depois, sem ressentimentos, sem saudades, só nostálgica.


Jul/2016 

4 de agosto de 2016

Pensando na Rede: Medo

"E esse medo todo? Confia em mim”

É isso que você sempre fala quando estamos juntos... 

E eu, nego. 

Mas na verdade, eu tenho medo sim. 

E não é porque eu não confio em você, eu confio e isso que mais me assusta.

Eu tenho medo de confiar demais em você, 

tenho medo de me entregar e você sumir, 

tenho medo de me apegar demais e você cansar, 

tenho medo de perder o que temos, 

tenho medo de que fique mais sério, 

tenho medo de me entregar pra você e não conseguir me recuperar, 

tenho medo.... 

E você sabe, mas sabe também como fazer o medo sumir, 

sabe como me fazer sorrir, como me irritar, como me deixar segura.

E tenho medo de quão bem você faz isso. 

Tenho medo de não ter medo com você.


Jun/2016

19 de maio de 2016

Pensando na Rede: “Nossa, como você cresceu!”

Leio na Rede, Gaby Monteiro

Sempre tem uma tia que fala “Nossa, como você cresceu!” naquelas festas de família super legais, né? Quando eu era menor, isso me irritava profundamente e a minha vontade era dizer: “Pois é tia, sabe a vida é assim… Biologia me ensinou que a gente cresce, desenvolve e tal…”

Mas é claro que eu nunca respondi dessa forma, minha educação e minha timidez me impediram, só sorria e concordava. Hoje, já crescida, percebi que não são só as tias que fazem tal observação óbvia, qualquer pessoa que convivia com você criança e depois te encontra mais velho comenta isso. Sabe por quê? Porque a pessoa percebe que também envelheceu e ninguém gosta de constatar isso, não é mesmo?

Outro dia, encontrei uma menina com quem eu brincava. Na época ela tinha 4, hoje está com 11! Assustei quando percebi que ela já não se juntava mais ao animador da festa, já nem ligava mais para as brincadeiras, ficava sentada do lado dos pais, toda comportada! Para mim, ela continuava lá por volta dos 6, mas sete anos se passaram, tanto para ela quanto para mim… Acho que quando a gente encontra essas pessoas que não vemos há muito tempo é que a ficha cai, aí a gente percebe que o tempo passou e aquela criança fofa que gostava de brincar de casinha, hoje já está toda mocinha indo ao shopping com os amigos e certamente acha uma chatice ficar ouvindo “nó, mas você cresceu hein?” . E era exatamente essa a frase que eu pensei em falar para ela…

Agora acho que entendo. Vivemos tão preocupados com os nossos afazeres, com nossa rotina que nem percebemos o ponteiro do relógio. Só vemos as marcas do tempo deixadas em nosso ser quando encontramos algo ou alguém que não vemos há muito tempo e percebemos no outro o efeito do tempo em nós. Esse encontro com a garota me levou a refletir e, depois de muito pensar, concluí que não importa o contexto, as reações quanto ao ritmo da vida sempre serão parecidas.

Leio na Rede, Gaby Monteiro

Ontem estava olhando com minha mãe um álbum de fotos de família. Demos boas risadas ao vermos todos pequenininhos e foi aí que o quebra cabeça se encaixou, e fez sentido algo muito óbvio, mas que muitas vezes não prestamos atenção… No álbum da família tinha foto de todo mundo com 4 anos, minha mãe, meu pai, meus irmãos, eu… Depois tinha foto com 8, 12, 15, 17… E ao comparar a foto de 4 anos com a de 15 todo mundo pensa “como cresceu”. E sabe o que acontece? A minha mãe de 15 anos não deve ter gostado de ouvir várias pessoas falando isso para ela, assim como meu pai, meus irmãos e eu não gostávamos… Do mesmo jeito, meus avós não gostam de ouvir que envelheceram ao compararmos uma foto deles atual com uma da juventude…

Cada dia eu vejo com mais clareza que as fases da vida (infância, adolescência, fase adulta e velhice) tem basicamente as mesmas reações, o que muda é o contexto e as tecnologias envolvidas… A maioria das crianças odeia quando falam que cresceram ou quando perguntam do "namoradinho", a maioria dos adultos odeia quando nasce um cabelo branco ou percebem aquela ruga na testa. O que muda é que hoje as crianças largam os brinquedos muito mais cedo do que largavam na época dos meus pais, do mesmo modo que as pessoas vivem mais do que viviam na época dos meus bisavós. Além disso, a criança de hoje que não gosta de ouvir a frase sobre o crescimento, provavelmente vai ser a tia de amanhã que falará tal frase, involuntariamente, porque a vida é assim, um ciclo.

É… Acho bom minhas sobrinhas se acostumarem, porque eu com certeza serei a tia que fala “Nossa, como você cresceu!” nas festas super legais de família.

Out/2014

Texto postado pelo site Cafegrafia

8 de maio de 2016

Pensando na Rede: Dia das Mães

Eu poderia escrever a velha frase clichê: Minha mãe é a melhor do mundo...
Por mais que eu a ache verdadeira, essa frase é muito utilizada de forma que é reproduzida sem pensarmos em seu significado e minha mãe merece um texto com significado.
Talvez seja impossível colocar em palavras tudo o que ela representa pra mim, tudo o que fez para a minha pessoa todos esses 18 anos de vida... Talvez seja inútil tentar, mas utilizando de mais um clichê: sou brasileira e não desisto nunca.
Desistir... Essa é uma palavra que não existe no vocabulário de minha mãe, ela nunca desistiu de mim ou de meus irmãos, mesmo que eu e eles tenhamos errado várias vezes na vida. Ela sempre estava lá para apoiar e, quando esse não era o caso, ela estava lá para ajudar-nos a nos reerguer. Reclamando ou não, ela estava lá e é isso que importa. E quer prova de amor maior que essa? De uma pessoa que permanece ao seu lado mesmo sabendo que você está errando e vai sofrer? Pois é... Essa prova de amor eu já recebi e nem pedi por ela...
Bom, mas deixe-me contar um pouquinho de minha mãe para vocês. Ela é linda, tem olhos verdes que não sei porque a genética não colaborou e os transferiu para mim, o sorriso que alegra toda a casa. Ela cozinha bem, apesar de discordar e preferir fazer qualquer outra coisa a ir para a cozinha. Ela cuida da casa, da nossa cachorrinha e da gente, mesmo quando ela está exausta e só quer dormir. Ela coloca as nossas necessidades na frente das dela e é natural, ela nem pensa para isso. Ela faz o melhor carinho de todos e de mais um clichê me apoio nesse texto: colo de mãe é o melhor que tem! 
Ela é engraçada, ansiosa, as vezes desesperada, e muito muito amorosa. Ela é mais que mãe. Ela é amiga. Ela é irmã. Ela é confidente.
Ela não gosta de ler, mas lê comigo e lê meus livros.
Ela odeia dançar, mas zumba comigo.
Ela não gosta de música alta, mas me atura cantando no carro todas as vezes.
Ela não fala inglês, mas leu grande parte de The Fault in Our Stars em voz alta comigo.
Ela vê os “filmes bobos” que eu tanto amo comigo.
Ela me incentiva.
Ela briga.
Ela empurra para frente.
Ela é a diva do prado.
Ela abraça.
Ela ama.
Não digo que ela é perfeita, apesar de ser perfeita para mim. Ela é minha mãe e muito mais do que eu poderia pedir na vida.
Por fim, só posso dizer que tenho orgulho de ser filha dela e dito tudo isso, acho que o clichê agora volta a ter significado...
Mãe, eu te amo! Você é a melhor mãe do mundo!

Maio 2016

Texto enviado para promoção no blog Telefone com Fio

Leio na Rede, Gaby Monteiro

18 de fevereiro de 2016

Pensando na Rede

Em um álbum de música tem sempre a faixa mais tocada nas rádios, a que todo mundo gosta. Mas também tem aquela música que ao ouvir a primeira vez já gostamos, às vezes, sem nenhuma explicação específica... 

Você é essa música secundária de meu CD. 

Aquela que escuto mais do que a mais tocada, aquela especial para mim, a que sei de cor, até o momento que o cantor respira para cantar uma nota alta. 

Você é essa música. 

Essa que me enche de alegria, essa que me relaxa depois de um dia de trabalho, essa em que me viciei e não paro de cantar. Mas, com o tempo, vai se tornando previsível, sei todos os seus trejeitos, sei tudo o que faz e o que pensa. 

Com o tempo, vou me enjoando de você.  A música, já foi muito tocada, perdeu aquele encanto inicial... 

Com o tempo, paro de ouvi-la. 

Outros CD's são lançados, outras músicas aparecem e você também cansou dessa repetição. 

Esgotamos nosso replay, está na hora de nosso stop e quem sabe um dia nossa música não volte a nos encantar?


Agosto/2015

14 de janeiro de 2016

Pensando na Rede: Chuva

Leio na Rede, Gaby Monteiro

Levantei de minha cadeira e me dirigi à janela. As gotas, fracas, mas precisas, da chuva caíam sem parar. Abri uma fresta na janela e logo aquele vento frio se apoderou e levou todo o calor que meu agasalho me dispunha. Respirei fundo, com os olhos fechados, soltei o ar pela boca e, por breves segundos tive a sensação de liberdade, como se estivesse do lado de fora, na rua, correndo. Podia sentir o cheiro da chuva e, ao senti-lo junto ao vento que batia em meu rosto, me sentia mais leve, talvez mais pura.

Abri os olhos novamente e percebi as gotas caindo, o céu cinza, as pessoas correndo, fugindo daquelas gotas e daquela brisa que me traziam a sensação de ser livre. Aos poucos, fui preenchida pelo desespero daqueles que passavam, pela fadiga daqueles que paravam embaixo de alguma marquise, pelo sono e a preguiça e, só me restou voltar para minha cama, me enfiar debaixo das gostosas cobertas e relaxar. 

Com o tempo adormeci, mas até o fazer fui voltando à minha sensação habitual, a prisão que me cercava novamente me segurou, colocou meus pés nos chão e não me permitiu sonhar. Já devia ter me acostumado com essa horrível, mas cômoda, sensação da realidade, da vida monótona, da rotina, da preguiça e do sono, mas, sem saber exatamente o que, algo dentro de mim constantemente se rebelava e, minha breve sensação de liberdade, meus rápidos sonhos de estar na rua, correndo, pulando e brincando naquela fraca chuva sempre voltavam a meu ser. 

Talvez fosse  pura burrice por não entender que aquilo nunca aconteceria, talvez simples vontade infantil adormecida, mas algo era certo: os sonhos faziam parte de mim e nunca deixaria de tê-los, não importava quantas vezes a prisão me relembrasse meu lugar de presa, sempre sonharia, pois neles a vida era melhor, e era aquela vida que queria para mim.


Agosto/2013

30 de outubro de 2015

Outubro Especial: Gaby Monteiro

Para finalizar o mês especial do escritores resolvi compartilhar com vocês um texto de minha autoria! Espero que gostem!


Era difícil dizer se tudo o que aquilo foi para mim, foi para você também. Seu jeito reservado dizia pouco de seus sentimentos e os míseros segundos que esses ficavam expostos me faziam sentir em um sonho perfeito do qual não queria acordar. Mas o fazia no momento em que você se fechava novamente e a dúvida voltava: foi real para você assim como foi para mim?

Sinto-me tola por manter esse platonismo de algo que já foi real, mas agora é apenas uma lembrança. Não tenho certeza se para você ainda é uma memória ou se nossos dias já foram substituídos por outros momentos, talvez mais especiais, mais reais.

Fere pensar assim, para mim foi real. Tão real. Prefiro me iludir e acreditar quando disse que foi especial, que eu fui especial. Será que se tivéssemos outra chance seria diferente? Será que era para ter acontecido?

Revendo nossa foto decido esquecer os serás, aceitar o que aconteceu e me iludir acreditando que você ainda lembra… Eu lembro.

Out/2015


Para ler outros textos do Outubro Especial, clique aqui. E não esqueçam de me contar o que acharam do texto!

6 de novembro de 2014

Pensando na Rede: Meus 15 anos


           - Esse vestido está perfeito , filha! – Na hora que falei isso, me lembrei de quando experiementei meu vestido e minha mãe me disse a mesma coisa.

            Estou muito envolvida com os preparativos da festa de 15 anos de minha filha Polliana e relembrando daqueles momentos de felicidades e ansiedade que vivi em minha festa com Marco.
            - Tudo bem, mãe? – Tomei um susto com a pergunta de Polliana.
            - Tudo, tudo bem, só muitas lembranças boas…

            Logo após a prova do vestido, levei Polliana para a aula de valsa, no mesmo local que tive minhas aulas.

            - Aria, querida quanto tempo! – Disse Madame Ana, que continuava a mesma mulher forte e saudável que havia me ensinado a bailar como ninguém. Mantinha o cabelo preto preso em um coque  e usava um longo vestido vermelho de alças cor de rosa. – Você não mudou nada! Veja só, continua branca como neve, com cabelos pretos como carvão e esses olhos azuis da cor do céu!
            - Obrigada, Madame Ana! Muito bom te reencontrar! Essa é minha filha Polli, as aulas serão com ela.

            Enquanto assistia à minha filha  bailar, lembrei-me de minha valsa na festa. O nervosismo a mil, era minha hora de brilhar e todos estariam olhando. O medo de cair ou errar os passos era o maior de todos. Quando comecei a dançar com Marco, o mundo parou, parecia que só existia eu e ele na festa. Perdi-me olhando em seus olhos e todo meu nervosismo foi embora. Aquela foi uma das melhores noites que já vivi. Nessa noite conheci e me uni ao amor da minha vida.

            Mas, às vezes, imagino se não tivesse acontecido do jeito que foi. E se eu tivesse caído, todo ririam de mim, eu sairia envergonhada... Se eu não tivesse  dançado com o Marco e sim com outro menino, será que eu sentiria a mesma segurança, o mesmo amor? Depois de pensar em tantas outras possibilidades diferentes, dou Graças a Deus por ter sido perfeito do jeito que foi.

            - Então mãe, o que achou? – Perguntou Polli ao final da aula.
            - Você estava linda! Vai arrasar!

            Os dias passaram rápido com toda a arrumação, já era o dia da festa: Polliana está linda e super nervosa igual a mim no dia da minha. A festa está correndo super bem e a valsa está para começar. Assim que Polliana começou a dançar com Pedro, seu nervosismo passou e ela se mostrou feliz. E então, a mãe coruja aqui fica mais feliz por uma história tão linda e boa se repetir.

Março/ 2012


25 de julho de 2014

Pensando na rede : Lembranças

Hoje é o Dia do Escritor e quem ganha presente são vocês! O Pensando na Rede é um espaço do Leio na Rede destinado aos meus textos próprios. Espero que gostem.



Eu amo rever fotos! Adoro a sensação de olhar para uma imagem e relembrar momentos divertidos de determinada viagem ou passeio. Mas ao mesmo tempo, odeio perceber que aquilo é passado, nunca mais terei aqueles momentos novamente, mesmo que viaje para o mesmo lugar, as lembranças criadas serão novas, nunca as mesmas que as da foto que me levou para o local de novo.

Heráclito, filósofo, já dizia que "um homem não pode banhar-se duas vezes no mesmo rio” pois na segunda vez já não será o mesmo, uma vez que aquela água já se foi, e é outra... Acredito fielmente no que esse filósofo afirmava, estamos em constante mudança, cada pequeno acontecimento do nosso dia nos transforma. Não somos os mesmo que no segundo anterior, isso já o você do passado, a mudança é muito rápida…

O que me entristece ainda mais é olhar para fotos e lembrar de momentos muito engraçados com pessoas queridas que hoje já não estão mais na sua vida… Às vezes fico muito brava com a vida! Por que ela tem que ser assim irritante, hein? Separar pessoas amigas, dificultar todos os obstáculos e nos fazer sofrer… Por quê?

Então eu me acalmo… E percebo que quem tá sendo irritante sou eu mesma! A vida pode separar pessoas, mas hoje a distância física é o de menos… A vida pode dificultar os obstáculos, mas se eles estão no meu caminho é porque consigo movê-los! A vida pode nos fazer sofrer… Não, NÓS nos fazemos sofrer… A vida nada mais é do que o reflexo de nossas próprias escolhas, então acredito que sempre que reclamamos dela estamos reclamando de nós mesmos.

No final desse devaneio louco já nem sei mais se a culpa é minha ou dos outros ou da vida, o que eu tenho certeza é que todos devemos nos melhorar a cada dia e sempre aproveitarmos os momentos que temos para fotografar. Vai que “a vida” prega uma peça na gente né?


Jul/2014